Há muito tempo, ainda no século passado, surgia um jogo de corrida bem divertido, chamado Ridge Racer. Quem imaginaria que o nome se manteria por tanto tempo?

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O primeiro da série foi lançado em 1993 para arcade e depois convertido para o PlayStation em uma versão que, além de um visual muito semelhante ao original, tinha como novidade a possibilidade de retirar o CD do jogo e colocar um outro de música de sua escolha, já que o carregamento era feito somente no início.

Depois de tanto tempo, a série se manteve praticamente a mesma, melhorando apenas os gráficos e com uma ou outra novidade menor. Era um mais do mesmo, mas um mais do mesmo bom (ao menos para os mais tradicionalistas). Até que resolveram inovar de vez.

Só para explicar bem resumidamente aos que não conhecem, Ridge Racer sempre foi baseada em drift, que é aquela técnica de derrapagem muito famosa no Japão e que rendeu até um filme da série Velozes e Furiosos situada no país. Ao longo dos anos, o drift no game ganhou ainda mais destaque, com a bonificação de nitro em cada derrapagem bem sucedida e assim se manteve até hoje.

Agora, a Namco Bandai contou com os serviços da Bugbear Entertainment para fazer uma remodelada completa na série com seu  Ridge Racer Unbounded. Dele, surgiu o Driftopia, uma versão “free to play”. Saiba mais sobre eles nas linhas a seguir.

Ridge Racer Unbounded: O irmão mais velho

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Ficha Técnica:
Ridge Racer Unbounded
Plataformas: PC (Win), Playstation 3, Xbox 360
Desenvolvedor: Bugbear Entertainment
Distribuidor: Namco Bandai Games

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À primeira vista, o jogo se parece mais como uma versão genérica e sem o glamour de Burnout. Isto porque agora o cenário e os outros carros podem ser destruídos, o que pode ser um tanto desapontador para os fãs de longa data da série ou também para os que só querem correr.

Derrapar e destruir é realmente o novo objetivo deste jogo. Ao destruir o cenário e os carros, o jogador ganha pontos. Com estes pontos, o aspirante a Michael Schumacher libera novos carros e pistas e vai subindo de nível. Os carros têm algo como “pontos de resistência”, cuja quantidade depende do seu porte. Um carro mais leve poderá bater umas três ou quatro vezes até ser destruído, enquanto uma caminhonete, maior e mais pesada, poderá ter seis ou sete.

Carros, jogabilidade e gráficos

As classes mudam de acordo com o modo de corrida selecionado e o avanço do jogador na “história”. São elas: Street; Race; Super; Shindo Race; Shindo Drift e Special Class. Nesta útlima é possível escolher entre um caminhão que não anda nada e uma viatura de polícia.

A jogabilidade estranha um pouco quem estava acostumado com os jogos antigos. A impressão que dá é que o jogo não é tão responsivo quanto antes. E como o foco agora é também destruir o cenário, é necessário se acostumar um pouco. Ainda existem os carros com maior aderência (grip) e os mais sabonetes, mas mesmo isto está mais sutil no início. Com a evolução de níveis, os carros mais rápidos assumem personalidades mais distintas.

Os gráficos são bons, mas não são nada além do que já se viu antes. Rodando o jogo com tudo no máximo no PC, o que se vê é um jogo extremamente colorido, mas nada realmente surpreendente. Aliás, esse é o tipo de jogo que tem um inconveniente: o cenário é tão poluído que impede uma visão mais focada na pista. As curvas surgem em cima da hora e é preciso treino para saber o quanto se pode abusar da sorte numa derrapada rumo à morte quase certa em cada esquina.

O jogo tem vários modos, sendo estes: Domination Racing (o mais comum); Frag Attack; Drift Attack; Time Attack e Shindo Racing.

Domination: este é o modo mais comum e o que se percebe ter sido infelizmente forçado a ser o “carro-chefe” do jogo. A maioria das corridas do que podemos chamar “story mode” se dá neste modo. Aqui o objetivo é correr e destruir. Mas para pegar os atalhos ou destruir os itens explosivos que ficam no meio do caminho, é preciso ativar o Power , que é o turbo do jogo.

Os atalhos são paredes que precisam ser quebradas e dão muitos pontos. Se você estiver com o tal Power no máximo, ele será mostrado como um alvo a ser atingido. Contudo, nem todos compensam. Alguns são escondidos, outros exigem um certo grau de destreza para se entrar ou sair sem perder muita velocidade. Ou seja, trombone triste para eles!ridge-racer-high-speed

Frag Attack: é um modo onde não se corre para chegar em primeiro, mas tão somente para destruir os outros. Os adversários (ou melhor dizendo, vítimas) andam em grupos de três ou mais carros e você, com turbo infinito (que ao gastar, é automaticamente reabastecido), deve acertá-los. Novamente, os atalhos e itens explisivos só podem ser destruídos ao se usar o Power. Mas não faz muito sentido pegar atalho aqui, já que o objetivo é destruir o máximo de carros possível, e eles não pegam atalho.

Drift Attack: sem muita novidade aqui, se você já jogou algum jogo da série Need For Speed a partir do “Underground”. Deve-se fazer drifting com o carro de um trecho a outro de uma pista. O mais curioso é que Ridge Racer sempre foi um jogo onde o comum, normal, regra até, era derrapar. Mas neste modo, o carro tem um comportamento próprio de drifter, mas sem aquela análise bacana em tempo real do Need (ângulo, velocidade, etc). Ao derrapar com sucesso, você ganha alguns segundos para estender seu tempo na pista. Ao encerrá-lo, sua pontuação total é computada.ridge-racer-drift1

Time Attack: “ah, o velho e clássico… Finalmente poderei correr sossegadamente sem ficar brincando de “Rock n’ Roll Racing! (ok, tá mais pra Red Asphalt, eu sei…)”, você deve ter pensado, certo? Nananinanão! Esse modo varia entre fugir da polícia (ué, mas não era TIME ATTACK?) e correr sozinho pegando alguns itens especiais pelo caminho que te darão “Power” (para usar o turbo) e congelar o tempo. As pistas deste modo, nas fases mais avançadas, costumam ser mais “radicais”, com rampas para se voar e half pipes, o que nos faz sentirmos num jogo inspirado no clássico Stunts. Ou para sermos mais atuais, no TrackMania. Só que sem os controles do Tony Hawk Pro Skater para fazer as manobras, fuén

Shindo Racing: para os tradicionalistas, este é o oásis no deserto da modernidade que é este jogo. Bater no carrinho adversário, mesmo com o (agora chamado) Boost ligado (que causaria morte instantânea na vítima, no modos Domination e Frag Attack), não faz nada. Os atalhos estão lá, mas não é possível atravessá-los. Eles nem são marcados. Ou seja, esta é a corrida comum e tradicional que sempre foi o jogo. Até os carros são próprios para este modo. Na minha humilde (e insignificante) opinião, se o jogo tivesse apenas este modo, teria sido ideal.

Multiplayer, só que não (muito)ridge-racer-menu

O game tem duas opções de se interagir online: uma é o multiplayer comum, onde duas pessoas se enfrentam numa corrida nos modos Shindo Racing ou Domination Racing. A outra é um pouco mais elaborada, ou menos simples: você joga em uma pista criada por você ou por outra pessoa, onde um tenta bater a pontuação máxima do outro. Neste modo, os jogadores não se enfrentam cara-a-cara como no multiplayer comum.

Ambos os modos não parecem ser muito populares na versão de PC. Mas não sei dizer se por isso foi criado o Driftopia ou se o Driftopia causou esta debandada de pessoas.

Ridge Racer Driftopia: De graça é mais gostoso

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Ficha Técnica:
Ridge Racer Driftopia
Plataformas: PC (Win), Playstation 3
Desenvolvedor: Bugbear Entertainment
Distribuidor: Namco Bandai Games

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Pouco mais de um ano após o lançamento de Ridge Racer Unbounded, surge sua versão gratuita, chamada Driftopia. O jogo é grátis, mas fornece uma série de opções de compra, como cartas e kits de conserto. Apesar disso, é possível se divertir bastante sem gastar nenhum centavo com o jogo.

Modos de jogo: Um e Dois

O jogo tem dois modos apenas: “Corrida Fantasma” e “Desafio Cronometrado”. O foco é no primeiro, que é uma versão modificada do modo “Domination”, enquanto o “Desafio Cronometrado” é um time attack, mas felizmente sem as piruetas e cambalhotas. E, melhor: com os atalhos.

E por falar em atalhos, esses caminhos alternativos não precisam mais serem destruídos usando o Boost (que nesta versão, que suporta o idioma português, se chama Turbo). É só passar e quebrar tudo. Os detalhes do turbo agora são azulados, como no modo Shindo. Mas, na prática, o jogo se dá no modo “Domination”.

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O fato de o jogo ser basicamente no modo Domination, inclusive, é um tanto curioso. Afinal, é uma “corrida fantasma”: você compete contra os fantasmas dos outros jogadores. Então como raios você destrói os carros? É que funciona assim: todos os carros são fantasmas e, de fato, são “transparentes” no começo da corrida. Após o início, ao se distanciar um pouco de seu carro, eles se “materializam” e realizam o traçado original, marcado pelos jogadores. Porém, como eles estão ‘solidificados’, é possível tocá-los e até destruí-los. E aí vem a coisa mais frustrante de se jogar este modo: eles também o fazem, e muito, mas muito, mas muito frequentemente mesmo, dão totozinho por trás, tirando todo o equilíbrio do seu carro, frustrando sua corrida de maneira permanente.
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Os adversários são escolhidos de acordo com sua última marca em cada pista. Conforme você vai avançando, batendo seus próprios recordes, outros adversários, com tempos sempre melhores que sua marca, surgem. Então, é muito comum ficar um bom tempo tentando bater o mesmo recorde na mesma pista, até ter condições de superá-lo.

Já no “desafio cronometrado”, que muda de tempos em tempos, você tem que bater simplesmente o melhor tempo de todos. Não existe escalabilidade como no modo Corrida Fantasma, o que se torna uma grande desvantagem para quem não quer jogar contra os outros meio-bots. Ou seja, igualmente frustrante, pois até você ter um carro realmente competitivo, vai demorar bastante.

A loja

Como se trata de um free to play, obviamente tem sua parte paga. E aqui, o que há à venda são cinco coisas distintas: kits de conserto; cartas; vagas de garagem (você começa só tendo direito a duas. Bem, melhor que na vida real, para alguns!); carros e impulsionadores. Ao se comprar carros, geralmente se ganha alguns kits de conserto de brinde.

Kits de conserto: a moeda do game

Resumidamente, é isso aí mesmo. Sem kits de conserto, você não joga. O kit de conserto é uma unidade de valor que te permite: consertar o carro ou reiniciar a corrida. Se você finalizar a corrida, até pode reiniciá-la sem gastar nada. Mas se quiser reiniciar antes do fim, vai gastar um kit. E se quebrar o carro, gasta uma quantidade variável de kits de conserto. Quanto maior o nível do carro, maior a quantidade exigida de kits para consertá-lo.

Cartas: o que são e para que servem

Cada carta corresponde a basicamente duas coisas: uma vantagem a ser usada na corrida ou um carro. O carro é visto como uma carta porque pode ser vendido. Ao ser vendido, rende alguns “kits de conserto”. Estas vantagens, que são chamadas no jogo de “ajudas” se dividem nos seguintes grupos: comum; incomum; raro e mítico. As cartas  são oferecidas se você chegar a partir do terceiro lugar ou podem ser compradas na lojinha em pacotes cujos preços variam entre R$ 1,39 e R$ 10,69.

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Os carros

Os carros têm a mesma divisão em grupos que as cartas, inclusive com os mesmos nomes. E são, também, vistos como cartas. A princípio pode até parecer um pouco confuso, mas pelo menos eles podem ser vendidos, rendendo os tais “kits de conserto”.

Cada carro também tem seu próprio nível. A cada subida de nível, é possível escolher uma característica a ser otimizada, dentre as seguintes: velocidade máxima; aceleração; potência do turbo e resistência.

Você começa o jogo com um carro, mas vai ganhando outros ao longo do jogo, em diversas situações: destruindo carros específicos durante a corrida ou ao subir de nível. Neste caso, o presente se dá da seguinte maneira: você entra em uma corrida especial e compete contra alguns carros, cuja quantidade aumenta de acordo com o nível).

Quanto mais carros você vencer, mais os ganha. Ou seja, se chegar em primeiro, ganha todos os carros. Se chegar em segundo, ganha todos os abaixo de sua colocação. Ao chegar ao nível dez, também ganha um carro extra, um pouco mehor que o carro que você está usando era quando começou.

Impulsionador de pontos: pagando para ganhar

O tal ‘impulsionador’ serve somente para aumentar os pontos que se ganha ao jogar. Compra-se um impulsionador que dará 50% a mais de pontos, facilitando a subida do piloto rumo à escada da fama. Não há variações senão a de tempo que ele durará em sua conta. O mimo pode ser comprado a partir de R$ 1,39 (um dia) e pode custar até R$ 16,99 (trinta dias). Faltou uma opção de quinze dias. Só tem um, três, sete e trinta. Sim, eu sarcástico.

Conclusão

Ambos são jogos razoáveis, médios naquilo em que se propõem, mas que podem frustrar bastante — mesmo sabendo o que esperar deles. Tentam oferecer um pouco do que já se viu nos jogos recentes de corrida, mas de uma maneira peculiar e não tão proficiente. Ou seja, o jogo é como um patinho (anda, nada e voa, mas tudo feito de maneira mediana).

Enquanto alguns podem pensar que a série fez bem ao inovar, mantenho minha opinião de que o jogo deveria continuar sendo o mais do mesmo que era antes: um ótimo joguinho de corrida arcade, perfeito para se desligar o cérebro depois de um dia cheio, sem ter que se preocupar com microtransações nem com ficar subindo de nível para conseguir nada além de mais pistas e mais carros.

Unbounded falha em forçar demais o modo “Domination”. Oferecer os outros modos e deixá-los tão de lado causa a impressão de que: ou a equipe não teve tempo de balancear os modos ou realmente a ideia é forçá-lo porque todo o motor do jogo foi feito para ele. Espero que outro Ridge Racer saia em breve, mas focando (ou tendo apenas) o modo Shindo, que é o mais próximo do que a série sempre foi. Certamente quem é fã poderá querer adquiri-lo em alguma promoção ou na mão de algum amigo que o encostou porque não gostou.

Já Driftopia falha em não ter um modo multiplayer em que as pessoas possam se confrontar ao vivo, além de ter fantasmas que se materializam e frustram a experiência do jogador. Seria muito melhor se você apenas visse os fantasmas, como em TrackMania, que também tem uma versão gratuita.

Se você gosta de um bom jogo arcade e quer experimentar, poderá sim conseguir algumas boas horas de diversão com esta versão grátis. Já que não custa nada, vale ao menos o download e algum tempo dedicado a entendê-lo. Recomendo subir ao menos um carro até o nível dez.

Nota: 6/10 (Unbounded) / 7/10 (Driftopia)

Genéricos, games ocidentais de “Ridge Racer” falham em renovar a clássica franquia [Análise Dupla]

Elis Buenas
Sobre o autor
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Gamer oficialmente desde 8 de janeiro de 1990, quando ganhou seu Dactar 3, que rodava jogos de Atari. Sonhava em ser astronauta na infância, mas se apaixonou pelos computadores e depois pelo Linux. Aos 14 anos, tentou entrar para a escola de Sargentos para ser piloto de caças, mas devido à miopia teve seu sonho cancelado. Hoje voa em simuladores quando bate a vontade. Adora pinguins, andar de bicicleta e de jogar (quase qualquer) Street Fighter. Atualmente trabalha com gerenciamento de servidores Linux em uma startup e sonha um dia em ser rockstar.