Dead Space 3: não é tão bom quanto você espera, mas não é ruim quanto você acha que seria

Por Vinicius Lopes

Vou começar esse texto falando sobre minhas experiências com as franquias anteriores. Em 2008, “Dead Space” me atraiu por ser um jogo era extremamente inovador, mas ao mesmo tempo com clichés clássicos de filmes e jogos de terror. Músicas que sobem e descem do nada, monstros estourando paredes e uma história afiada.

Tudo isso transformou “Dead Space” em algo unico e caracteristico dessa nova geração. Ao saber de “Dead Space 2”, eu contava os dias para o seu lançamento, então depois de jogá-lo e constatar que mesmo sendo diferente do primeiro, o segundo ainda era uma experiência consistente, e mesmo repetindo alguns elementos conseguiu ser um jogo tão original quanto o primeiro. Então minha expectativa para o terceiro era altíssima. O time da Visceral não me decepcionou, inclusive no jogo de Wii (que não é um Spin-Off) então o que podia dar errado com o terceiro? É o que veremos a seguir…

Dead Space 3 - Necromorphs

Sabor de pizza boa, mas requentada…

“Dead Space 3” recebeu muitas criticas pré-lançamento. Pelos vídeos e gameplays que foram apresentados, logo de cara uma diferença era visível: a atmosfera claustrofóbica foi trocada por ambientes amplos e com neve, muita neve.Tudo o que se via eram monstros gigantes na neve com pontos fracos laranja, sensação de Dejavú não? Pois é, “Lost Planet” fez isso em 2007…

Aliado a isso, duas outras inovações a meu ver foram decisivas para quebrar meu encanto e interesse por esse ultimo jogo da franquia. O primeiro e mais grave que a mudança de ambiente, é o Co-Op.

Na minha visão de jogador,  “Dead Space” não precisa ter um modo Co-Op, isso por que a experiência que o jogo entrega é algo pessoal, e se um colega joga junto, ele pode te ‘poupar’ de um susto, por que ele viu um necromorph antes. Una isso ao fato de que todo o clima de tensão ao vagar pelo jogo, é totalmente quebrado por uma frase solta qualquer no headset “Calor hoje hein? Olha ai o Necromorph vindo te atacar…”

A mudança de atmosfera desse terceiro capítulo me fez lembrar de como Tomb Raider 2, apesar de ser um bom jogo, perdeu toda a atmosfera do primeiro. Muito disso a meu ver, é por causa da adição de inimigos que atiram. Tomb Raider nunca foi um primor em sequências de tiro. Lara Croft usava sua arma apenas para se defender do ambiente, mas no segundo jogo ela se torna uma militar, e diversas armas são adicionadas ao jogo. O clima intimo do jogo se quebrou, isso por que você não tinha mais que pensar em como sair das cavernas, mas  sair de Veneza e detonar uns capangas no caminho.

Dead Space 3 faz exatamente a mesma coisa com o jogador. Ele nos tira de um ambiente intimo com a Ishimura ou Sprawl e nos coloca na grandeza de Tau Vallantis. Se isso fosse sem sequências de tiro atrapalhadas, poderia ser ótimo, só que não é.

O jogo se inicia com um prologo em Tau Valantis, uma sequencia bem fraquinha se comparada aos inicios dos primeiros jogos. Acontece uma sequência de eventos que você não entende, que só servem mesmo para te ensinar os controles do jogo. Depois disso vamos ao inicio de verdade. Sem revelar nada, de cara você enfrenta tiroteios.

A mecânica de tiros em Dead Space foi criada originalmente para o jogador desmembrar os inimigos, não para trocar tiros com ele, assim o inicio do jogo já começa confundindo o jogador. Apesar disso tudo, a sequência do tiroteio é curta, e faz sentido com o que está acontecendo na história, então é ai que o jogo começa.

Antes de entrar em Tau Valantis, você passa por alguns lugares em sua orbita, essa é a parte em que o jogo brilha para mim. Nessa parte, lá pelo capitulo 2 ou 3, você explora naves mais antigas, e um ponto belíssimo é ver o trabalho dos artistas criando diferenças entre os lugares que você explora. É possível ver diferenças na arquitetura, nos objetos e tudo faz sentido. Esta sequência rende cerca de seis horas de jogo extremamente bom e compatível com os anteriores. Sustos, puzzles complexos, Necromporhs de todo lado. Nesse ponto o jogo para mim era um nota 8 com louvor, tudo que eu esperava de um Dead Space estava ali, só que isso não dura muito tempo.

Descendo a Tau Vallantis

Não vou revelar nada, mas já adianto que a história é extremamente previsível e rasa. Depois de resolver os problemas, você desce a Tau Vallantis, e o jogo desce junto. É a partir desse ponto que o game vai ladeira abaixo.

Dead Space 3 - Gráficos

Apesar de ter uma sequência bacana, o jogo se apoia em alguns clichés, e usa truques manjados para assustar. Se vai andar na neve, se prepare que um Necromporh vai pular em você a cada 5 minutos, e isso se torna bem chato depois de um tempo, você vai se pegar pensando “Que saco, lá vou eu andar na neve…”. Todo ponto de neve é aparentemente um ponto de respawn de inimigos, eles param de vir, mas antes disso você sofre um bocado.

E essa repetição mata o jogo para mim. Veja, todo videogame se você analisar, é uma repetição constante, o truque é fazer você não perceber isso. Dead Space 3 falha absurdamente nesse quesito, e os combates na neve são muito cansativos.

A sequência em Tau Vallantis é arrastada, e é aqui que a comparação com a pizza requentada cabe. Praticamente tudo em Dead Space 3 é coisa requentada dos primeiros. Inclusive os inimigos! Me explique como os Necromorphs de localidades diferentes, conseguem ser idênticos? Reaproveitamento de assets, é claro. Nesse ponto, Dead Space 3 se torna um game preguiçoso. Preferiu apostar no seguro, do que mostrar coisas novas.

Ainda não entra na minha cabeça, a quantidade de novos necromorphs que podiam ser adicionados e não foram. É um planeta de neve, com certeza tem necromorphs diferentes dos criados em uma nave de ferro e chumbo.

Ainda fico tenso de lembrar do Stalker de Dead Space 2, aqueles inimigos que se escondem de você no cenário, mas Dead Space 3 não tem nada disso. Reaproveita praticamente tudo, jogando apenas texturas novas em modelos de monstros que você já conhece.

Tudo o que você ver aqui, se você jogou os anteriores mais de uma vez, você vai lembrar. A Visceral usou muitos padrões de cenário já conhecidos, e você vai repetir eles algumas vezes no mesmo jogo. Isso torna muitas partes massantes, você fica mais preocupado de ir e voltar, do que propriamente desfrutar o jogo, e para eu, isso mata totalmente o sentido dele.

A sequência final do jogo a meu ver era a mais promissora e infelizmente foi muito mal aproveitada. A Visceral teve a ideia mágica de levar você a fonte dos Necromorphs a cidade natal deles para ser mais exato, e ela não se aproveita disso plenamente. Coloca num cenário absurdamente bem feito e totalmente diferente de tudo, os mesmos inimigos, mesmos sustos e nessa sequencia final, inicia o modo Horda de Dead Space, sequencias e mais sequencias de inimigos, tornando tudo mais uma vez massante e mecânico. Mate muito, recolha o loot, avance para a próxima area.

O final do jogo como já falei é altamente previsivel e totalmente sem coragem. A EA/Visceral podia ter deixado você de queixo caido, mas por falta de culhões não o faz, e no final das contas entrega o final (feliz?) que a maioria espera.

Isso tudo que eu reclamei faz de Dead Space um jogo ruim ?

De forma alguma. Ainda o considero um jogo acima da média. Todos esses defeitos que comentei são porque Dead Space 3 carrega o nome da franquia e é a continuação da história. Se o jogo fosse vendido como um Spin-Off (Adventures of Isaac on Ice Planet?) talvez daria para engolir melhor. No final das contas, o jogo para mim tem nota 7, onde eu classifico o primeiro como um 10 e o segundo com um  9,5.

Um jogo nota 7 não é ruim, agora para um Dead Space para mim é péssimo.

Fechando a tampa…

O jogo tem seus momentos empolgantes, mas falha em mostrar coisas novas ao jogador. Os momentos memoráveis dos primeiros jogos aqui são totalmente pontuais e, repito, muito reaproveitados dos anteriores.

Só que num mundo onde bons jogos de suspense são peças raras e onde Silent Hill e Resident Evil não são mais o que costumavam ser, Dead Space ainda reina como franquia de suspense e terror nessa geração.

Me condicionei a comparar com a franquia Clássica de Resident Evil, onde o primeiro é um clássico do terror, o segundo é um primor em jogabilidade e inovações e o terceiro é a pizza requentada. Se você tem algo melhor para comer, coma. Se não, ligue o micro-ondas, aqueça e se divirta!

Nota: 7/10

Dead Space 3: não é tão bom quanto você espera, mas não é ruim quanto você acha que seria

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