Com 2 meses de mercado, Nintendo Switch continua com muito potencial (mas poucos jogos)…

2 meses de Nintendo Switch, e ele vale a pena?

Por Artur Palma e Fernanda Domeniche

O Nintendo Switch chegou às lojas norte americanas no dia 3 de março e surpreendeu por ter quase tanto os jogos quanto o N64 no lançamento e só ter 1-2 Switch, Just Dance, Super Bomberman e The Legend of Zelda Breath of the Wild.

E, apesar de Breath of the Wild ser um jogo genial, a gente achou que não era o bastante para dar um veredito sobre o console.
Agora, com mais exclusivos como Puyo Puyo Tetris e Mario Kart, resolvemos dar nossa opinião se o console da Nintendo vale ou não seu suado dinheiro.

Design

A primeira coisa que é impressionante é o design do Switch em si. Além de ser bem fino, o sistema de encaixar na base é simples e direto. Sem qualquer enrolação, e funciona extremamente bem.
E essa é a principal base do Switch, a versatilidade entre console e portátil, a possibilidade de tirá-lo da base e continuar jogando sem nada além de poucos segundos de interrupção.

Além disso, basta deslizar os controles Joy-Com na lateral do console e pronto, eles são sincronizados e funcionam muito bem. Ele não fica a coisa mais linda do mundo, e até lembra um pouco antigos portáteis como o Sega Nomad ou o Atari Lynx.

A resposta dos controles no modo portátil também é muito boa, a qualidade da imagem é “apenas” de 720p, mas é mais do que o suficiente para ter uma imagem muito boa na telinha de 6.2 polegadas. A tela de toque no modo portátil também é útil, mas não é o padrão em nenhum jogo lançado até agora, até pq ela não pode ser usada quando o Switch está ligado numa TV.

O único problema é que alguns menus e diálogos ficam um pouco pequenos na telinha. Não chegam a ser ilegíveis, mas se os desenvolvedores não tomarem cuidado e trabalharem pensando em telas de 40 ou 50 polegadas, pode ser quase ilegível na telinha de 6.

O som em si não é nenhuma maravilha, mas também não compromete para um portátil, a nossa recomendação é jogar com um fone de ouvido legal e deixar as caixinhas de som para um momento de desespero.

Controles

Uma das principais coisas do Switch é a versatilidade dos controles. Os dois joy-cons que acompanham o console/portátil pode ser usados tanto acoplados no Switch no modo portátil, como separados. Isso pode ser feito usando o adaptador que coloca os dois Joy-cons numa cara de controle tradicional, com os dois controles separados, um em cada mão, ou até alguns jogos permitem usar cada uma das metades como um controle individual.

O resultado? Altos e baixos.

Usar os controles como um tradicional funciona bem, apesar de não ser o mais confortável em longas sessões do jogo. Seu estilo quadradão e sem espaço para os dedos já é estranho, mas o tamanho dos botões também não ajudam, fazendo com que eles pareçam bem pequenos para um controle de console. Eles acabam servindo muito bem para um portátil, mas deixam a desejar quando para um console.

Quando os controles são separados em dois controlinhos, então, a coisa fica mais complicada, e eles funcionam mais como um improviso e quebra galho do que como uma solução real para longas sessões. Se você planeja jogar muito com amigos, já planeje comprar alguns controles extras.

Eles também funcionam como controles de movimento e são uma evolução enorme em relação aos Wii Remotes. Infelizmente, apenas 1-2 Switch e Just Dance fazem uso variado dos controles de movimentos, e o resultado é MUITO legal. Além disso, os controlinhos também têm um novo sistema de vibração que é impressionante e dá para sentir como se tivessem objetos dentro dos Joy-con. Infelizmente, só o 1-2 Switch faz uso desse sistema por enquanto.

Outro problema dos pequenos controles é que a antena deixa a desejar a às vezes você pode ficar com a mão em certa posição que atrapalha a comunicação entre o console e os controles. Não é nada dramático e se mexer um pouco para não ficar com nenhuma parte do corpo no caminho corrige o problema, mas é o típico problema que poderia ter sido arrumado com uma antena um pouco melhor, e pouparia certas frustrações.

Além dos joy cons, a Nintendo lançou o Classic Controller Pro, que é um controle que parece uma cópia do controle do Xbox One, mas com algumas modificações, e ele é incrível.
Não só ele tem o tamanho perfeito para vários tamanhos de mãos, seus botões, são extremamente confortáveis, o analógico responde muito bem e a sensação de usá-lo é impressionante, além do material com que ele é feito ter uma sensação muito boa na mão, a sua vibração também é a melhor presente em um controle tradicional, além de terem leitores de NFC para os amiibos.

Não há dúvida, o controle clássico é o melhor jeito de jogar jogos tradicionais no Switch. E, apesar dos Joy-Cons terem muito potencial, ainda não passa disso.

O hardware

Desde o primeiro DS a Nintendo deixou de participar da corrida armamentícia pelo processador mais poderoso, ou o maior número de pixels, e o Switch não muda isso.
O que não significa que o Switch é fraco. Ele é facilmente o portátil voltado para games com maior processamento gráfico que já vimos. O hardware dedicado a games claramente faz a diferença, ao invés dos portáteis que usavam Tegra com Android como vimos até hoje.

Por enquanto, os jogos com maior poderio gráfico foram o The Legend of Zelda Breath of the Wild, que está um pouco superior à versão do Wii U, Mario Kart 8 Deluxe, que também está consideravelmente melhor que a versão seu antecessor, e Lego City Undercover, que está quase no mesmo nível da versão para PlayStation 4.

Já a vida da bateria varia bastante, em jogos como Zelda e Mario Kart, a bateria dura entre 3 horas e meia e 5 horas, dependendo da configuração de luz da tela, volume e wifi. Em jogos mais simples como Bomberman e Binding of Isaac, a bateria chega a 6 horas sem grandes dificuldades.

Além disso, o console usa cartuchos, o que garante que os loadings não sejam tão grandes, mas em comparativos que já foram feitos, instalar os jogos na memória interna ainda faz com que os tempos de carregamento sejam ligeiramente menores.

Também é possível adicionar mais espaço do que os 32GB de memória interna, para isso basta colocar um cartão microSD de até 256GB no slot abaixo da base do console. Para baixar jogos é só ir na loja virtual do console.

Jogos

Mas o que importa mesmo é a qualidade dos jogos, não? E é aí que o Switch tem o seu maior problema.

A maior parte dos jogos do console são muito bons, tanto os exclusivos quanto os multiplataforma.
The Legend of Zelda Breath of the Wild e Mario Kart estão entre os melhores jogos de seus gêneros lançados em todos os tempos, Shovel Knight é outro jogo incrível, assim como Puyo Puyo Tetris e Binding of Isaac. O grande problema é que nenhum deles é 100% exclusivo do novo console. Apesar das melhorias, eles podem ser jogado em outros consoles ou PCs.

O único exclusivo que usa boa parte do potencial do console é 1-2 Switch, que lembra os jogos da série WarioWare, mas sem a mesma longevidade e carisma. É um protótipo divertido que devia vir grátis com o console, mas não justifica a compra.

Mas levando em conta os jogos que saíram, é impressionante o desempenho deles tanto no modo console quanto no modo portátil. Todos rodam muito bem, e até mesmo jogos que sofriam com quedas de quadro e problemas de latência foram corrigidos e hoje estão rodando perfeitamente.

O Switch não possui nenhum aplicativo de entretenimento como YouTube ou Netflix. Nem mesmo um navegador de internet. Apenas algo bem simples para acessar pontos de Wifi que precisão de autenticação.

Considerações finais

O Nintendo Switch tem um potencial enorme. Seu controle sofre com problemas de conexão, mas é extremamente inovador e pode proporcionar novas experiências incríveis.

E esse é o grande problema do Switch. Por enquanto ele vive de promessas de ter grandes jogos, e é difícil de justificar a compra se você já tem um Wii U. Jogos como Breath of the Wild e Mario Kart 8 Deluxe estão em sua versão definitiva no console, mas ao mesmo tempo, estão em versões quase idênticas no antecessor, com apenas algumas pequenas novidades ou desempenhos.

O Switch tem um potencial enorme, e pode ser um dos melhores consoles já feitos, especialmente por conta de seu desempenho impressionante como portátil, mas a Nintendo precisa lançar mais jogos para justificar o hype que ele está tendo.

Com 2 meses de mercado, Nintendo Switch continua com muito potencial (mas poucos jogos)…

Fernanda Domeniche
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