Análise: Tekken 7

“No início, os filhos amam os pais. Depois de um certo tempo, passam a julgá-los. Raramente ou quase nunca os perdoam”

O pensamento polêmico de Oscar Wilde é a máxima adotada por TEKKEN 7 para explicar o motivo da treta central  sobre o velho Heihachi e seu filho Kazuya. E nunca essa briga entre pai e filho teve tanta relevância quanto nesse mais recente game da série.

Começando já pelo modo história, TEKKEN 7 adota o mesmo caminho de Street Fighter V ao apresentar um modo história completo, com muitas informações, o que é ótimo, pois muitos dos fãs que só acompanham a série só nos videogames muitas vezes não entendia qual era a razão para tanta raiva entre pai e filho.

Logo na primeira luta você joga com um Kazuya menino contra seu pai Heihachi e esse é ponto inicial – e também central. Este modo história é bem comprido, exige um interesse do jogador em assistir tudo, pois a cada luta vão muitos minutos de historinha. Prato cheio para os fãs. Ele cobre a história toda da Saga Mishima, além de também conter histórias específicas dos personagens, onde as lutas têm apenas um round.Por que Heihachi jogou Kazuya em um vulcão quando ele ainda era uma criança? Porque Kazuya retornou como um demônio para se vingar do pai? Tudo isso é contado em detalhes nesse modo.

Como fã da série, eu sempre via como trunfo da série o ar pateta e até cômico e isso incluía figuras como Mokujin, Panda e outros personagens bizarros. Para mim, tudo era uma grande farra para não se levar a sério. Nesse último capítulo, o modo história amarra um pouco melhor a relação entre o personagens, deixando até um pouco mais sério. E teve espaço até para Akuma, o demoníaco personagem de Street Fighter aparecesse com papel fundamental na série.

Vale mencionar, o modo história tem algumas lutas bem cascudas, contando até com umas apelações bem sacanas em algumas situações que não vem ao caso explicar aqui para não tirar a graça de quem ainda não jogou, mas dá para dizer que a narrativa é muito competente ao incluir cut-scenes no meio das lutas, para criar uma dramaticidade e emoção extra.

Mais complexo do que nunca, mais acessível do que sempre

Existem 36 personagens em Tekken 7, além da Eliza, disponível para quem o comprou na pré-venda. Existem alguns novos, mas muitos também são velhos conhecidos.

A mecânica de TEKKEN 7 é, como o próprio produtor Katsuhiro Harada já citou em diversas entrevistas como essa do PlayStation Blog, uma evolução natural do estilo de todos os jogos desde o primeiro game, mas com um cuidado maior para deixá-lo mais acessível, com sistemas de jogo mais simplificados e retirando alguns elementos exageradamente complexos e adicionando novas mecânicas de jogabilidade.

Esse mesmo processo que passou Street Fighter V pode até não ser bem recebido pelos fãs e jogadores mais puristas, mas é muito bem vindos em uma era em que o eSport e os jogos de luta competitivos por profissionais ganham cada vez mais relevância.

Em resumo, o jogo é fácil para qualquer um começar a jogar, mas difícil de dominar caso seu intuito seja competir em nível profissional. De fato, a Bandai Namco se orgulha da versão arcade de TEKKEN 7 ter garantido a entrada de novos jogadores no Japão e em boa parte da Ásia.

Ah, e a entrada de akuma é muito bem vinda. O lutador se encaixou direitinho entre os demais personagens e, mesmo tendo seus hadoukens inalterados, teve seu handicap bem trabalhado para não ser usado por apelões. No geral, o Akuma de TEKKEN 7 é mais lento que o de Street Fighter, e não tão forte em golpes ditos como apelões, como as próprias bolas de fogo.

Lindo, ainda mais no PC

No Kapoow!,  a maioria dos blogueiros têm no PC a sua plataforma principal para jogar. Não à toa, a versão que solicitamos à BAndai NAmco para testar era a do Steam. E não podíamos ter sido mais felizes.

Em nossos testes com a placa de entrada da NVIDIA, a GeForce GTX  Ti, o jogo rodou com tudo no Ultra a 60 FPS em Full HD. Não há como o visual ficar mais bonito que isso em termos técnicos, ok, há a opção de jogar em 4K com uma GeForce GTX 1080. Testamos também com uma GeForce GTX 970, que garantiu resoluções ainda maiores.

Já do ponto de vista técnico, TEKKEN 7 é muito bonito, com texturas impressionantes na pele dos jogadores, incluindo as rugas e cicatrizes de Heihachi e Kazuya e detalhes como textura dos panos das roupas, tudo em altíssima resolução.

Os efeitos de iluminação dos cenários e partículas das pancadas entre os lutadores também chamam a atenção, tudo muito caprichado.

Há, contudo, alguns deslizes na parte gráfica. Os cabelos, de longe, não são os mais realistas que já vimos na atual geração de consoles e a paleta de cores para os fios é muito pálida, não tem, por exemplo, opções de preto muito escuras, como pode se notar no cabelo da Josie aí da foto acima. E falando na Josie, outra falha grave é que a animação de alguns personagens é bem precária. Os “pulinhos” da personagem em posição padrão como aí em cima não tem balanço, naturalidade, como não tem muita sensação de impacto a cada pisada dela no solo, ela mais parece um robô. Por fim,  as expressões faciais dos lutadores poderia ser melhor, até pela grande ênfase do jogo na narrativa.

 

Muitos modos de jogo

Para quem só quer jogar, o bom e velho modo Arcade está lá. Além dele, temos os modos Tesouro, Vs. e Treino.Desses, o modo tesouro vale uma menção pois é nele que o jogador encontra “baús” com peças exclusivas para personalizar o lutador.

A batalha por Tesouro é um modo onde a cada vitória, ganha-se um baú com itens, que podem ser utilizados por todos ou por algum personagem específico. Ao fim de cada batalha, existe a opção de sair ou continuar lutando.

Ao avançar mais neste modo, o multiplicador de Fight Money aumenta, assim como também o número de itens por partida, chegando ao máximo de três itens para cada vitória. Após um número considerável de partidas, haverá uma modificação surpresa na batalha, como “ambos os lutadores têm dano aumentado”, ou “velocidade aumentada”. Ao vencer, uma quantidade entre 10.000 e 20.000 Fight Money será conseguida.

Por fim, a cada 3 ou 4 partidas, um chefe irá aparecer, sendo ele o Heihachi, a Kasumi ou o Akuma. Também existe a possiblidade de enfrentar o Devil Kazuya. A diferença é que nesta batalha o oponente terá suas habilidades aumentadas, o que aumentará a dificuldade em vencê-lo.

E o modo de personalização é bem completo e faz uma bela diferença para quem gosta de se exibir ou até tirar um sarro com bizarrices nos modos online.

Já o modo Arcade é bem curto, com apenas sete lutas. E bem fácil também. O único adversário que costumam dar algum trabalho é o último. Mesmo o mid-boss, Heihachi, não apresenta nenhum desafio.

Por ser modo arcade, não há absolutamente cena de história alguma. Tampouco tem final. É direto ao ponto mesmo. A única diferença é que, dependendo da dificuldade em que você lutar, ganhará mais ou menos Fight Money. Para enfrentar Akuma, é necessário vencer todos os rounds de todas as batalhas. Usar Continue, então, nem pensar! =)

TEKKEN sempre foi conhecido como um jogo de luta que oferece o maior fator replay entre os inúmeros títulos do gênero e em TEKKEN 7 não é diferente. A Namco demonstra muito respeito pelo jogador ao oferecer tudo o que o fã espera e sem a necessidade de atualizações, como ocorreu com Street Fighter V.

Temos um modo arcade, modo de treinamento e um modo história bem completo, incluindo até historinhas paralelas para os lutadores que não participam da trama principal. Para quem quer mais, tem o Luta por tesouro, as personalizações de lutadores e, claro, o modo online que garante diversão por um bom tempo (que fique registrado, o modo funciona direitinho e nem citamos mais porque afinal, estabilidade é o mínimo aceitável).

O único porém, e isso é motivo de divergência entre os reviewers, é que o jogo não prende tanto quanto seus antecessores. Para mim, faltou um pouco mais de inovação e, mesmo com as modificações na mecânica para deixá-lo mais atrativo, faz ao mesmo tempo que o jogo não seja tão arrebatador de corações dos fãs mais fervorosos tanto quanto poderia. Em resumo, é competente, mas não inova tanto quanto já vimos em episódios anteriores.

Ah, e para quem gosta dos colecionáveis para habilitar, o jogo te dá uma quantidade considerável de Fighting money só no modo história, isso sem contar todos os demais. Só com a graninha da trama principal já dá pra desabilitar e assistir TODOS os filminhos de abertura e finais de TODOS os TEKKEN lançados até hoje, incluindo as ceninhas bacanas que vimos desde o PlayStation 1. Outra coisa bem bacana dessa galeria de vídeos é que é possível notar o legado tecnológico deixado pela série ao longo dos anos. Quer ter uma ideia de como era a CG nos anos 90, com a estreia do TEKKEN 1 no PS1? Veja abaixo essa cara marota do Kazuya após jogar o papai Heihachi do precipício em seu final. =)

Nota: 8

[Bonito, com muitos modos de jogo e uma mecânica mais simplificada, TEKKEN 7 é tecnicamente competente em todos os quesitos. Para quem gosta da série, seu modo história é imperdível por mostrar em detalhes minuciosos tudo o que aconteceu entre Heihachi e Kazuya, ao mesmo tempo que o modo os modos tradicionais também dão conta do recado. O único porém, ao meu ver, é a falta de inovação na mecânica. Ao invés de ousar, a Bandai Namco optou pelo caminho mais comum entre as demais produtoras, de simplificar para agradar aos mais novatos. Isso não é ruim, só não significa inovação que um novo game possa sugerir.]

Colaboraram no review: André Forte e Saulo Santiago

Análise: Tekken 7

Elis Buenas
Sobre o autor
- Gamer oficialmente desde 8 de janeiro de 1990, quando ganhou seu Dactar 3, que rodava jogos de Atari. Sonhava em ser astronauta na infância, mas se apaixonou pelos computadores e depois pelo Linux. Aos 14 anos, tentou entrar para a escola de Sargentos para ser piloto de caças, mas devido à miopia teve seu sonho cancelado. Hoje voa em simuladores quando bate a vontade. Adora pinguins, andar de bicicleta e de jogar (quase qualquer) Street Fighter. Atualmente trabalha com gerenciamento de servidores Linux em uma startup e sonha um dia em ser rockstar.