Análise: SmartBoy, transforme seu celular num GameBoy

A Hyperkin produz consoles compatíveis com o NES e o SNES há anos. Os mais famosos provavelmente são o Supaboy, que transformava o SuperNES em um portátil, e o Retron 5, que roda os principais consoles da geração 8 e 16 bits. Agora, a Hyperkin pegou uma piada de primeiro de abril e transformou no seu novo acessório, um sistema para jogar jogos de GameBoy no seu celular, o SmartBoy.
A história do Smartboy começou no dia primeiro de abril de 2015, quando engenheiros da empresa publicaram a imagem de um projeto que eles queriam produzir, mas os executivos da empresa achavam que não atrairiam muita atenção. Depois de conseguir alguns milhares de curtidas e compartilhamentos, eles começaram a produção do acessório, e o produto final é um objeto muito mais interessante do que se poderia imaginar.

Logo ao pegar o Smartboy dá para notar que ele é muito mais complexo do que qualquer imagem divulgada anteriormente dá a entender. O acessório conta com um selo da Samsung na caixa, mas é compatível com outros celulares Android que tenham um conector USB-C. Para garantir que ele funcione com a maioria dos celulares, ele possui um ajuste para telas maiores e menores. Basta apertar um botão atrás do SmartBoy para abrir a largura máxima, inserir o celular e ajustar para o tamanho certo. Caso o conector USB-C na parte inferior do celular esteja numa outra posição, também é possível ajustá-lo.

A parte de trás do SmartBoy é onde o cartucho encaixa, e ao contrário de outros consoles da Hyperkin como o Retron 5 e o Supaboy, em que os conectores são tão apertados que parece que vão arrancar os conectores do cartucho, aqui o cartucho entra e sai com facilidade.
O acabamento do plástico lembra muito o do primeiro GameBoy, assim como a sensação do direcional e dos botões A e B. Todos os botões são bem macios e confortáveis de usar, apesar do tamanho do SmartBoy.

O trabalho no acabamento da peça é de altíssima qualidade, mas e como ele funciona de verdade?

Para rodar o SmartBoy, você precisa instalar dois apps: SmartBoy Companion, que depois de instalado deve funcionar assim que você inserir o acessório, e o emulador My Old Boy! Free, que rodará os jogos de uma pasta ligada ao SmartBoy.

E aí surge um problema, ao abrir os aplicativos pela primeira vez: o SmartBoy ocupa cerca de metade de tela, e todo mundo sabe que o Android possui uma notificação para cada coisa que é feita no celular. Com isso, é meio que uma questão de ficar apertando as opções do menu guiando do com o direcional do SmartBoy e tentando acertar com a intuição. Não é nada impossível, mas é uma coisa chata que dificulta a configuração do acessório. A recomendação é abrir o app companion e o emulador e autorizar o uso dos recursos que são pedidos antes mesmo de colocar o acessório, para pelo menos reduzir um pouco o número de notificações que você vai receber.

Depois disso, toda vez que você inserir o SmartBoy o aplicativo de companhia dele será aberto, então é só colocar o cartucho, ele irá extrair uma ROM para a memória interna do celular e ele inicia o emulador escolhido. Você pode colocar qualquer emulador de GameBoy que quiser, mas o que acaba rodando melhor é o recomendado pela Hyperkin, já que a tela fica no ponto ideal para não ser encoberta pelo SmartBoy.

Ao menos comigo, eu ainda tive outro problema na primeira vez que iniciei o My Old Boy, os botões não respondiam. Alguns reviews que encontrei online falavam que funcionou de primeira, então logo achei que o problema era com a minha unidade, até que eu resolvi ir nas configurações do emulador e vi que era possível reconfigurar os botões de um controle. Depois de reconfigurar tudo, e de mais uma série de encaixa e desencaixa o SmartBoy, finalmente o emulador começou a responder . Eu acho que o problema pode ser porque eu uso um ZenFone 3 da Asus e os reviews que eu vi usavam o Galaxy S8, mas fica o aviso para quem tiver o mesmo problema.

O desempenho do SmartBoy em si é, na verdade, o desempenho do emulador, que roda muito bem em qualquer celular recente. Tanto o áudio quanto o vídeo e a resposta dos controles foi muito boa em todos os jogos que nós testamos.

Se você resolver tirar o cartucho no meio da partida, recebe um aviso anti-pirataria. Basta recolocá-lo para continuar jogando.
Nós testamos jogos do GameBoy e do GameBoy Color, tanto jogos com e sem bateria. Todos funcionaram muito bem, inclusive salvando os saves. Mas fica um aviso: você não vai poder continuar aquele seu save do Zelda Link’s Awakening, já que infelizmente o SmartBoy apenas copia a ROM e não os arquivos de salvamento como acontece no Retron5. Se você quiser usar outros recursos do emulador como Save States e afins, é preciso usar a versão paga.

Ao menos nos nossos testes, não parece haver nenhuma maneira de tirar o acessório sem parar dramaticamente o jogo arrancando todo o acessório. Não sabemos se isso é um problema com o Zenfone ou do acessório, mas o manual do SmartBoy não fala nada sobre mudança de jogos ou como removê-lo de maneira segura. Parece não causar problema nenhum ao cartucho ou ao SmartBoy, mas é meio estranho arrancar tudo do nada.

Um destaque especial é para a qualidade dos controles, que realmente parece e dá uma sensação muito parecida com a de jogar um GameBoy de verdade. Com certeza é o principal destaque do acessório.
Infelizmente não estamos com nenhum cartucho 50 em 1, ou com múltiplos jogos para testar, mas sabendo que eles não funcionam no Retron 5, é melhor não arriscar se você tiver muitos jogos assim. Assim que conseguirmos testar um adicionaremos um comentário abaixo.

No geral, o SmartBoy funciona muito bem e corrige o principal problema de se jogar jogos de GameBoy num celular: a falta de botões. A diferença entre jogar com a tela de toque e jogar como se fosse o portátil é gritante, e vale o investimento se você gostava bastante do portátil da Nintendo e ainda tem jogos dele guardados. Apesar do problema para a configuração inicial, toda a experiência depois é a mesma de jogar um GameBoy ou GameBoy Color com uma tela com iluminação traseira.

No fim das contas só ficam duas decepções: a falta de uma porta USB-C no próprio SmartBoy para que você possa carregar o celular enquanto joga, e uma porta para conectar com outros SmartBoys. Como eu vou conseguir trocar meus Pokémons e jogar Tetris com meus amigos sem isso?

De qualquer forma, gostamos bastante do acessório e se você quiser comprar, o Smartboy ele chega no dia 21 de agosto e pode ser enviado para o Brasil pela Amazon.com.

Análise: SmartBoy, transforme seu celular num GameBoy

Artur Palma
Sobre o autor
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Criador e diretor da ZeroQuatroMídia, produtora de vídeos parceira do Kapoow!. Conheça mais o canal em www.zeroquatromidia.com.br