Análise: Marvel vs. Capcom: Infinite

E o cinema conseguiu interferir nos games…

Com o reboot de Mortal Kombat e,  mais recentemente, com Injustice 2, a NetherRealm mostrou uma nova forma de se fazer jogos de luta, oferecendo um modo história cinematográfico como plano principal sem abdicar da qualidade da mecânica. Deu tão certo que acabou virando um padrão, seguido posteriormente por Street Fighter V (via atualização) e por TEKKEN 7.

Agora, mais uma vez a Capcom acertadamente se  inspira na concorrência e para lançar Marvel vs. Capcom: Infinite, o aguardado novo capítulo da série de pancadaria entre os lutadores mundiais e os personagens da aclamada editora de HQs. Alguns contratempos, porém, acabaram colocando água nesse chopp que parecia tão gelado e saboroso.

Capitão Donatello, a visão Capcom do “Cap” misturado com tartaruga ninja

Modo História, a grande novidade!

O jogo traz Ultron e Sigma como grandes vilões. Os dois uniram forças para acabar com a vida orgânica que tanto odeiam e fundindo os universos, liberando o vírus Ultron Sigma, que controla o que é infectado. Assim, a trama mostra os heróis das duas companhias  buscando  as Jóias do Infinito paraimpedirem seus planos.  Surgem assim, novos locais como “Xgard” e “Valkanda”, resultados desta fusão.

Como  principal novidade, o modo história cinematográfico cumpre seu papel, nos traz vilões competentes e, principalmente, com desejos plausíveis que tornam o desafio muito mais interessante.

Outro ponto positivo são os combates durante a empreitada que, em determinados momentos, trazem desafios diferentes, como derrotar capangas aos montes ou impedir que um monstro destrua os portões e adentre “Valkanda”. E até aí tudo ia muito bem.

Por mais louvável que tenha sido a intenção de agregar um completo modo narrativo à saga, ainda falta profundidade ao roteiro e explicações para a aparição ou destino de alguns personagens na trama, o que muitas vezes nem faz sentido. Outra mancada é “forçada de barra” com motivos bem sem sal para  justificar algumas “tretas”. Ok, é um bom começo, mas assim como ocorreu com a própria Netherrealm, a Capcom ainda pode evoluir nos próximos roteiros.

Outros Modos e o que deu certo no game

Além do já esperado on-line, MvC Infinite conta com os modos Missões e Arcade. O primeiro é muito sem graça, resumindo-se a aplicações de golpes para ganhar colecionáveis, enquanto o Arcade é o mesmo tradicional: vença os oponentes em sequência e termine. Mas já aviso que o “final” desta opção de jogo, é tenebrosamente ruim.

Para quem ama dar combos e super golpes grandiosos (marca registrada da saga), o jogo continua sendo um prato cheio! Recheado de luzes, cores e muita velocidade, nesse ponto os fãs ficarão bem satisfeitos.

Os combos estão bem mais simples, podendo ser executados apenas apertando repetidamente o botão de chute ou soco fraco. A jogabilidade é excelente, proporcionando mesmo para quem não é familiarizado com o gênero, diversão garantida e possibilidade de terminar o game com tranquilidade (Sim, está bem fácil mesmo!).

As lutas continuam em duplas e com algumas novidades bem legais. Agora você poderá trocar de personagem mais facilmente, e acionar seu parceiro mesmo quando estiver aplicando um golpe especial, possibilitando que ambos estejam na luta ao mesmo tempo. Outro detalhe, é que quando um dos dois é derrotado, permanece no campo de batalha caído.

A volta das Jóias do infinito é mais um ponto positivo para o game. Sumidas desde o clássico Marvel Super Heroes (Bons tempos de Arcade, não??), elas voltam com suas particularidades e abrilhantam e colorem ainda mais a diversão. Cada uma tem um poder para ajudá-los nos embates, mas vamos deixar que vocês descubram na hora de jogar. O que mais importa é enaltecer que a jogabilidade é repleta de diversão e garantirá bons embates no multiplayer.

Gráficos

Um ponto que particularmente me incomoda bastante é quanto  ao visual dos lutadores. Seguindo a linha de Street Fighter V, o desenho dos personagens mostra um estilo bem nipônico e muito estilizado (estou sendo bonzinho). Isso faz com que contem com uma estética caricata e exagerada, até muito fora dos padrões das HQs da Marvel.

Por exemplo: o Capitão América está extremamente musculoso e com corpo deformado. Com o escudo às costas, lembra em certos momentos uma Tartaruga Ninja.  Os rostos também deixam muito a desejar e mesmo com  uma remodelagem 3D de nova geração, ainda assim consegue perder em brilho para seu antecessor.

Já os cenários receberam um capricho incrível e merecem aplausos.  Esses sim cumprem seu papel, com ambientes bem desenvolvidos e bonitos. No geral, Marvel vs. Capcom: Infinite é competente tecnicamente. Não salta aos olhos de quem joga ou assiste, mas conta com seus belos efeitos gráficos e seguram bem a onda.

Mas e os personagens? Tem X-Men? É…infelizmente não!

Chegamos ao ponto mais crítico de MvC Infinite e que responde o porquê do parágrafo de abertura. Achou que era por causa da inclusão do modo história? Também, mas não é bem isso.

O grande problema do game são seus lutadores, principalmente os da “Casa das ideias”.

Com uma clara inspiração nos filmes (que eu adoro!), temos apenas representantes desse universo criado, como os atuais Vingadores, a Capitã Marvel e Doutor Estranho. Não que se reclame da presença desses heróis, mas é quase que uma ofensa não termos ícones da franquia como Wolverine, Magneto, Dr. Doom e até Deadpool.  E, ao menos até o momento, não há esperança de tê-los no game, já que os DLCs divulgados recentemente seguem a mesma linha.

Sabe-se que os direitos cinematográficos dos mutantes e do Quarteto Fantástico pertencem a outro estúdio, no caso, a Fox, mas não é justo com quem é fã de quadrinhos e principalmente, da série de jogos, não poder contar com figuras tão importantes.

Além da questão cinema, o maior problema é o número bem inferior de lutadores. Para terem uma ideia, MvC 3 contava com 50 personagens jogáveis e Infinite tem (ainda sem DLCs) apenas 30! É quase um novo jogo só de ausências.

A repetição de personagens de outrora é outra coisa que incomoda, pois  no fim das contas, temos poucas estreias. Apesar de termos bons retornos como o dos carismáticos Motoqueiro Fantasma, Nova, Rocket e Thanos, contamos com figuras pouco importantes e que se não estivessem, pouca falta fariam, como Gavião Arqueiro, Dormammu, Hagar, Firebrand ou Spencer.

Com tantas opções, tanto Marvel quanto Capcom, tem conteúdo de sobra para acrescentar. Pensando rapidamente em alguns nomes, me vem à mente Dimitri ou Jon Talbain (Darkstalkers), Leon, Jill, Barry, Wesker (Resident Evil), Akuma, Dhalsim, Ken, Blanka (Street Fighter) sem contar infinidades de heróis e vilões Marvel como Demolidor, Justiceiro, Luke Cage ou mesmo Jessica Jones para agradar o público feminino e aproveitando a deixa da série Defensores, algum Inumano e até mesmo Loki.  Nenhum deles está disponível. Uma pena!

Vale lembrar, a  Capcom já anunciou os primeiros personagens extras via DLC: Sigma,  Pantera Negra e os recém-anunciados Monster Hunter, Soldado Invernal, Viúva Negra e o polimorfo Venom. Desses, o único que me empolga é o último, logo, ainda espero uma nova DLC com outros nomes. E você, sentiu falta de mais alguém?

Nota: 7

[Infinite já é uma boa surpresa pelo simples fato de ter resgatado a série! Mantém a essência e com um modo história, que mesmo não sendo um primor é competente em sua proposta. Vai agradar aos fãs e divertir quem nunca teve o prazer de jogar. Com uma jogabilidade simples e atrativa poderá conquistar novos adeptos e gerar continuações.  E isso é suficiente para cravarmos ele como um bom título e digno da nota positiva que recebeu.

Como todo jogo de luta, porém, o jogo precisa de bons personagens para segurar a qualidade da obra e, nesse ponto, o game perde os pontos para fazer dele um game ótimo ou imperdivel como foi seu antecessor. As poucas variações e opções de personagens, além da exclusão de ícones dos games passados pode decepcionar principalmente aos mais fanáticos por HQs. Mas, como todo game da atualidade que se preze, sempre tem um DLC para salvar o dia. E que venham os próximos, vamos torcer!]

Análise: Marvel vs. Capcom: Infinite

Fábio Silvestrini
Sobre o autor
- Italo-hispânico com personalidade mais puxada para a segunda, Silvestre é formado em propaganda e marketing, mas viveu boa parte de sua vida curtindo games em terceira pessoa, futebol e estrelados por personagens famosos da TV e dos HQs. Dos quadrinhos, aliás, nasceu outra de suas paixões, o desenho. Logo, não se espante caso algum review do cara venha acompanhado por alguma ilustra bacana.